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Pai

" Eu queria conversar um pouco- Eu queria falar uns negócios- Eu queria falar que eu sinto falta de quando você me levava para passear no Jardim Botânico. Você fez isso até eu ter uns 13 anos, não é? Por que é que você parou? Foi só porque eu cresci? Você não começou a trabalhar mais. (...) Por que é que você é tão teimoso, e... E por que é que você tem tanto orgulho? (...)As pessoas fazem escolhas erradas na vida. E as pessoas não têm culpa de fazerem escolhas erradas na vida. E as pessoas... E as pessoas precisam de ajuda, e você não ajuda ninguém. E você não ouve ninguém. E me deixar de castigo sem ver televisão, pai? Eu nem vejo mais televisão. Eu... Eu nem tenho mais TV a cabo no quarto, eu desliguei para poupar a tomada. Há quanto tempo você não entra no meu quarto? Há quanto tempo você não me faz uma pergunta realmente interessado em saber a resposta? Há quanto tempo você não sabe nada de mim? Você não gosta de mim? É isso? Você... você não... Porqu...

Tom

Minha alegria era esperar pelo fim do dia, sentar na cadeira que rangia do bar e encontrar meu bom e velho amigo Tom. Ele sempre estava lá quando eu chegava, o cabelo bagunçado, os olhos vagos olhando para lugar nenhum, olhando para dentro de si, com os ombros caídos, cansados, esperando que o dia acabasse, assim como eu esperava que o dia acabassem também. Sentava ao seu lado, nos cumprimentávamos rapidamente e fumávamos um cigarro. Gastávamos o fim da tarde sem dizer nada, apenas compartilhando o cansaço da vida, em silêncio, brincando com a fumaça do cigarro. Era quase como paz. Por alguns minutos.   Ele pensava na vida e eu pensava nele. Ao anoitecer, eu o abraçava e íamos embora. O abraço era quase como um agradecimento pela companhia e, secretamente, um pedido silencioso para que ele não fosse. Mas ele sempre ia, eu o via indo. Ele nunca olhava pra trás.

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" Havia uma possibilidade em sete bilhões de ser ela. E foi. Aconteceu com ela. Por quê? O que ela tinha feito para merecer? Por que ela? " Após escrever e finalmente conseguir dar início a sua história, Alice levantou e deitou-se no sofá. Pensou no que escreveu. Pensou e se sentiu extremamente egoísta. Por que, afinal, não seria ela? Por que teria que ser outro alguém? Achou que se julgava especial por pensar assim - mas tinha convicção de que não o era. O que havia de diferente entre ela e qualquer outro, que somente ela não poderia sofrer? Ela e aquela senhora ao seu lado no ônibus tinham a mesma chance, naturalmente, de sofrer e de sorrir. Chance não. Tinham o direito (porque nem todos tem realmente a chance). Sofrer não a fazia infeliz nem distante de qualquer outro ser. Levantou-se, riscou novamente o que havia escrito e, como se não bastasse, amassou a folha. Escreveu: "Assim como todos os outros, assim como qualquer outra pessoa, Nina teve...