Fotografias em palavras

Há momento que sinto medo de perder de vista, de esquecer, sem querer.Como aqueles dias de agosto...

Em um dia comum daquele mês...
Os dedos dele seguram aquela pequena flor com delicadeza, enquanto ele me mostra seus detalhes e me explica, seriamente, sobre a beleza dela. Ele sempre me explica sobre todas as coisas do mundo e eu o ouço, admirada. Às vezes me distraio  e presto toda minha atenção só nele: o jeito como a boca dele mexe enquanto fala me interessa muito mais, me perco enquanto navego na onda sonora da sua voz...
A flor, a voz, o homem, os dedos... Aqueles dedos me tocam como tocam naquela flor.

19 de Agosto de 2017
São os seus detalhes que me encantam mais - e todas as outras coisas também. São os pequenos momentos que mais sinto medo de esquecer, aqueles pequenos gestos de carinho e de atenção que deixamos passar, mas que são valiosíssimos. Como naquele dia de agosto...
Enquanto você vasculhava alguma coisa pela casa, eu te esperava na porta do quarto, pouco antes de ir embora. Você me apareceu com uma jaqueta jeans e a estendeu para mim. "Toma, veste esse casaquinho". Agradeci sem jeito, pois fazia calor naquele quarto. “É que você sempre fica com frio no ponto”.
Eu achei a coisinha mais linda do mundo e continuo achando, como em todas as vezes que você leva dois casacos pro cinema porque sabe que eu vou sentir frio e nunca levo um (e às vezes você me empresta os dois casacos porque eu sempre invento de ir de vestido pro cinema, desculpa por isso).
Naquele mesmo dia, fomos para o ponto e uma chuva danada caiu sobre nós. Eu te digo "você não precisa esperar, sabe disso, né? Você pode voltar pra casa se quiser", mas você nunca vai embora e isso me alegra em segredo. 
Nos abraçamos embaixo daquele guarda-chuva e cantamos baixinho "levante suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você, na chuva, na lama ou na fazenda”. Eu nos enxerguei de longe, em terceira pessoa, sabe? Aquela parecia a cena do final do meu seriado favorito, mas era mil vezes melhor.

(...)

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