Lar.

Pela segunda vez, você me convida ao seu lar. Eu entro timidamente, mas já me sinto abraçada por cada quadro na parede e pelo seu sorriso que me diz: seja bem-vinda na minha vida. E eu me sinto. Eu me permito entrar e me aconchego no seu sofá e no seu abraço.
Em uma mania errada, eu me desculpo antes de dar oi. Desculpo pelas roupas molhadas pela chuva, pelo sapato que deixou pegadas pelo chão, pelo cabelo que... Eu me desculpo por-
-ssshh.
Eu sorrio e me sinto muito boba por simplesmente não ter te beijado ao te ver. E te beijo, te abraço, sinto suas mãos pela minha cintura. Genuinamente feliz. Em paz.
Ainda que toda molhada da chuva.
Na segunda vez na sua casa, tomo banho pela primeira vez na sua casa. E sorrio comigo mesma: será que fui eu que mudei ou foi você que me conquistou rápido demais? Em tão pouco tempo e já andamos tanto... você nem imagina o quanto. Como eu brinquei com você: você é um homem vivido, eu não. Mas algo em você me fez estar à vontade no seu lar, no seu colo, no meu próprio corpo.
A água cai do chuveiro e aquece a minha pele, o meu ser. Será que foi mesmo em pouco tempo? Ou no tempo certo? Eu evito pensar sobre os meus pensamentos e me permito viver com espontaneidade.
Visto sua camisa e sorrio diante do espelho. Genuinamente feliz. Eu já estava vestida de você e com mais nada...
Em uma mania errada, te pergunto “tem problema em estar vestida assim? ”. Eu não me lembro do que você disse, mas me lembro do seu beijo. E depois... Só houveram beijos e mais nenhuma palavra. Beijos, sussurros, minha respiração na sua respiração.
Eu me enrolo e me entrelaço em você. Nos misturamos em harmonia. Eu não sinto vontade de me desculpar pelo meu corpo, por meus movimentos, por mim mesma. Não agora. Eu só sinto vontade de estar com você. É o que combinamos: vamos curtir cada momento enquanto o momento durar.
...
Uma pausa no texto para um sorriso ou dois. O momento passa mas a memória aquece o coração.
Visto a camisa errada, mas tudo bem: ambas as camisas eram suas.
“Não tirarei mais essa camisa”, eu digo. “Tudo bem, eu adoro Ramones”, você diz e me beija. E lá estou eu, vestida com o que você gosta, com o que é seu.
...
Revelando uma fotografia em palavras: Eu percebo os seus olhos de um jeito novo. Talvez seja a luz, talvez seja a ausência dos óculos, mas estão diferentes sim. Eu percebo como seus olhos brilham de um jeito carinhoso – desculpa o clichê, mas é verdade. São os olhos puros de uma criança – embora, sabemos, a pureza te falta. “Vou tirar uma foto mentalmente desse momento”, eu digo. E você dá uma piscadinha. Garoto, você me ganha por muito pouco.

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