Guarda-chuva amarelo


Você não me apareceu com um guarda-chuva amarelo. Na verdade, eu que segurava um livro de um autor do seu agrado. Tolkien foi o nosso guarda-chuva amarelo.
Que sorte a minha ter me sentado naquele banco e não em outro lugar. Não foi eu que te encontrei, você que me achou. Você sorriu para mim e eu sorri de volta. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas algo aconteceu. Antes que você pudesse me ouvir cantar “La vie en rose” na varanda de um prédio qualquer, antes de você se apaixonar perdidamente por uma imagem platônica, ilusória e fantasiosa, depositada no meu rosto, nos encantamos um pelo outro, assim, cotidianamente, sinceramente.
E logo estávamos cantando juntos no telefone, cantando juntos em um bar com karaokê. “Ter saudade até que é bom”, você disse. “É melhor do que caminhar sozinho”, completei. Era tanta paixão, que era difícil disfarçar.
E disfarçar pra quê?
Ei, gosto tanto de você.
Eu também, meu bem. Gosto muito de você.

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