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Você quer me conhecer de verdade?
Todas as semanas, sem ter dias exatos, eu choro no meio da noite, no meu banheiro. Eu sinto essa coisa presa em mim, um ALGO que eu alimento, cuido e cresce dentro de mim, causando este ALGO que me faz chorar. O que é? Eu não sei. Às vezes é dor, outras vezes não dói. Quando não dói, é um vazio sufocante que dança pelo meu corpo. Um vazio, uma questão, uma dúvida sobre mim mesma em relação a mim mesma, sobre mim aos olhos dos outros, sobre o mundo. O mundo inteiro é grande demais e me esmaga. O tempo me esmaga inteiramente. Por que eu choro, meu deus? É demais. A vida é tão frágil, é tanta pressa para ser feliz, para viver, para ser alguém – alguém para quem? Para o quê?
Eu me olho no espelho enquanto choro, eu vejo meus olhos se encherem de lágrima. É nesta parte que mais dói, quando há dor. É como se apertassem meu coração e ele se esvaziasse em lágrimas. Meus olhos inundam e eu acho aquilo lindo. E então escorre. Eu me desespero por um minuto, eu provo o sabor da dor, sufoco o grito. Eu não tiro o olhar do espelho, porque aquela pessoa, aquele reflexo (que tem o meu rosto, mas não sou eu) é a minha única companhia. Nem este reflexo me entende, mas ele adora o espetáculo.
E neste momento, vem todos os meus arrependimentos, todas as minhas saudades, todos os buracos, as ausências. E eu acho tão injusto! Eu acho injusto sentir tristeza, porque minha vida é feliz. Uma bela casa, uma bela família, um belo amigo, alguns bons colegas. Eu não deveria sentir o ALGO. Foi isso que me falaram: você não deve sentir coisas ruins, você deve ser feliz, sorrir, socializar, abraçar.
Então eu me contenho. Eu respiro fundo, lavo o rosto. Engulo de volta o ALGO, prendo-o de volta, assim como prendo o meu cabelo. Cof cof. Eu estou bem.

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