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Cartas de Emília

2010:
Escrevo-te com uma grande necessidade de me libertar, preciso largar os demônios que fizeram de mim uma casa. As coisas ao meu redor são lindas e está tudo indo bem desde que eu cheguei. Há rosas por todas as partes e a alegria aqui é visível, porém, dentro de mim está tudo tão estranho e nublado... Não dói. Digo, não sofro. Mas me desconheço. Lembra-te como tinha em mim uma doce essência singular que te encantava e te fazia sorrir? Você dizia que eu deixava seus dias mais felizes. Dias de sol eram aqueles. Mas te trago más noticias: estou sofrendo metamorfose. Nem poesia mais amolece esse meu coração que virou pedra. Tornei-me uma casa mal assombrada. Um fantasma que não sente quase mais nada. Ajuda-me, me ajuda!

2012:
Escrevo-te com uma grande necessidade de me prender. Ando tão solta, ando tão só. Queria me prender nos teus braços acolhedor. Poderíamos compartilhar um chocolate quente quando fizesse frio. Poderíamos compartilhar do mesmo sentimento, do mesmo sorriso, da mesma melodia. Compartilhar: é disso que preciso. Doar-me e te receber. Perder-me entre as cobertas que te esquentam enquanto dorme e no meio da noite acordar sabendo que a casa não está vazia. Pois ando tão vazia.
Se não for assim, não sei se outra vez ficarei feliz. Não é drama, é que antes eu era um mar agitado e me tornei em um rio calmo, calmo. Quase não sinto mais nada. Mas penso que talvez, se você me aparece e muda tudo, se você vem e me faz ter um novo rumo e enche de sorrisos essa minha vida outra vez, se me canta uma cantiga de ninar e faz tudo aqui dentro ficar mais... Ficar mais... de qualquer jeito que me surpreenda... Se você me aparece e me prova que há ainda tantas coisas que não senti, faz uma tremenda festa no meu pobre coração... Se tu me aparece, menino, e me encanta: entrego-me sem medo e, quem sabe, até volto a ter aquele brilho antigo e saudável que deixava meus sorrisos bem sinceros.

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