Pular para o conteúdo principal

Não peço que acredite em mim

Eu acho que não quero mais que você volte. Pode parecer estranho e absurdamente fora do comum, pois logo eu que sempre te desejei desesperadamente, que te agarrei com força para não ir, que chorei e sorri, que lutei, lutei e lutei, hoje eu me sinto bem com a sua ausência. E logo eu que te segurei com todas as forças que tinha para tentar te proteger, eu que cuidei, mimei, amei, que sempre precisei loucamente de você aqui, para viver, para andar, para respirar, para pensar, para conseguir, para ir, me sinto aliviada, como se tivesse me livrado de algo ruim. Não que você seja ruim para mim, ou que algum dia tinha sido o meu mal, não é isso. Eu já te disse: você é a solução, não o problema. Até que então você se foi e veio quando quis, sem mandar bilhete, sem deixar recado, sem explicar nem tentar me entender, apenas foi sabendo que eu estaria aqui te esperando. E aquelas todas nossas brigas desnecessárias e cansativas me desgastavam, até que não sobrou nada aqui em mim. Você nunca me deixava falar, por mais que eu falasse. Ou melhor, você nunca parava para me ouvir, para me entender, para fazer comigo o que eu fazia com você. Nunca me perdoou e jogou tudo em mim. Mas você sabe, eu faria tudo de novo por você, eu aguentaria você destacando meus defeitos e inventando alguns, eu aguentaria seu drama, seus choros falsos, sua falta de interesse, seu desanimo com as minhas coisas, seu estresse, o seu teatro, suas mentiras e falsidades e no final de tudo, eu te aguentaria sendo o inocente. Você sabe, porque eu te amo. Mas as coisas mudaram desde quando você partiu, e eu mudei junto com elas. Hoje eu não tenho mais tanta paciência para essas coisinhas que você inventa para ser alguém. Eu não tentaria te entender nem te perdoar, e nem assistiria seu showzinho fingindo acreditar ser verdade. Eu sei que você morreria de verdade só para eu acreditar que você sofria de mentirinha. Eu sei que você morreria de verdade só para que eu me sentisse culpada. Hoje, bem, eu não sou mais aquela garota que costumava ser sua. Eu sou o monstro que você criou, sou seca, fria, impaciente, insuportável, mas eu ainda sou melhor que você. Não quero mais te ver (mesmo que eu ainda te veja em todos os lugares), nem ver as mil e uma faces que você criou. E eu ainda te amo, mentiria se negasse, porém, hoje eu gosto mais de mim do que de você.

Comentários