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Eu não posso mais esperar

Batidos leves e o barulho da porta se abrindo.
- Querida. – sussurrou ele, andando por toda a casa até encontrá-la no jardim, sentada embaixo de uma árvore.
Foi naquele mesmo lugar, na sombra da goiabeira que ele havia a deixado com a promessa de que voltaria. Já haviam se passado quatro longos anos desde que ele partiu, deixando-a ali sorrindo. Seu rosto era pacifico e calmo agora, admirando o céu. Ele supôs que ela imaginava desenhos em nuvens, o que era costume deles.
“Ela está tão linda hoje” pensou com um pequeno sorriso.
- Meu amor. – ele se aproximou.
Ela continuou sentada, sem olhá-lo. Era como se ele nem estivesse ali. Talvez ela tivesse sonhado tanto com esse momento, que achou que esse fosse apenas mais um sonho bom. Ele sentou ao seu lado, admirando ela admirar o céu.
- Não é mais um sonho. Eu estou aqui.
Ela não respondeu.
- Pequena, olhe para mim. – ele girou suavemente seu rosto até conseguir olhar diretamente aos seus olhos. – Eu prometi que voltaria.
- Mas eu nunca prometi que te esperaria. – sua voz era seca, sem vida. – Durante anos, dias, me sentei nesse mesmo lugar e encarei aquela porta por horas, sempre sorrindo. Eu queria que você me visse sorrindo quando chegasse. Eu queria que você soubesse que eu estava te esperando. Eu estive aqui por você, mas você nunca esteve por mim. Eu recebia cartas, telefonemas e sentia meu corpo perdendo o equilíbrio de nervosismo achando que era você. E nunca era. Até que eu parei de ver as cartas e desliguei o telefone. Mas eu nunca... Não houve um dia sequer que eu não pensasse em você, que eu não chorasse enquanto rezava pedindo a Deus para cuidar e te proteger. Até que houve um dia que... Que eu me acostumei em não te ter aqui. Eu conseguia até me imaginar feliz e, bem, pela primeira vez, você não esteve nos meus planos. E agora, querido, agora que você está aqui, eu queria que não estivesse.

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