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Carta aos ventos

Zé,

Aquela dor que machucava forte meu peito a cada vez que olhava uma foto tua, está desaparecendo. Não que eu não a sinta mais, creio que sempre haverá restos dela por parte do meu corpo. Mesmo que a ferida sare, sempre restam as cicatrizes, não é mesmo? E você sabe como eu gosto de cutuca-la só para ver se ainda dói. E ainda dói. Mas a dor já me permite sorrir, agora já consigo ser quase feliz ao lembrar-me de ti. Admirando assim a tua foto, sorrio ao saber que um dia fui o foco dos teus olhos, que um dia eles olhavam apenas para mim. Ver você sorrir assim, como se estivesse sorrindo para mim, me faz feliz ao saber que um dia toda a sua felicidade foi depositada em mim. Eu passo de leve meus dedos sobre teu rosto e é como se eu pudesse te sentir. Quase. Tivemos tantos pontos finais que quase se tornou reticencias. Tenho pra mim que nossa historia ainda não terminou, que um dia, quem sabe, entre os cantos dos pássaros, em uma tarde de domingo, talvez, a gente volte a se encontrar. Seria tão bom sentir de novo aquelas borboletas na barriga – que foram dormindo com o tempo.

Não consigo parar de me perguntar: Zé, oh Zé, por que não me escreves mais? Aquele tempo que demos as mãos eram tempos de choros, tempos complicados aqueles. Mas mesmo assim eu era feliz. Estar com você me fazia feliz. Lembrar dessa maneira ameaça meu equilíbrio. Era tão bom dividir minha solidão com você. Ficarmos em silêncio, apenas olhando as estrelas, olhando a lua, de mãos dadas. Pena que esse abismo nos separou. Esse abismo que talvez eu tenha construído. Vai ver toda a culpa tenha sido minha mesmo.

Zé, quase me tornei uma pessoa triste. Foi por pouco, muito pouco. Era só ouvir a tua voz, que meu coração se doía por completo...

Enfim, já está ficando tarde, me despeço por aqui. Perdoa pela dor que te causei, Zé, teu sorriso sempre foi o que eu quis. Envio essa carta para um endereço qualquer, pois já nem sei onde tu estás, fico na esperança que um dia ela chegue a ti. E que um dia você chegue até a mim, novamente.

Com o amor que o vento não conseguiu levar,

Daquela que um dia foi a dona do teu coração.


(Rayanne C.)

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