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Eu te feri ao tentar te proteger

Tudo aquilo que eu sonhei, idealizei, projetei em minha mente como o ser perfeito, meu coração achou tudo em você. Os mesmos defeitos e as mesmas qualidades, as teimosias, mas também as doçuras. Encontrar algo ou alguém com tantos aspectos que me faziam flutuar, não era comum. Encontrei algo que posso chamar de meu tesouro que por tanto tempo ficou perdido. Te achei. Estiquei meus braços até doer, para te segurar com a mão e te guardar nos meus braços, você estava ali bem na minha frente, mas era longe demais e impossível de se alcançar. Na medida em que minhas mãos se aproximavam, uma força maior te afastava de mim. E ficamos assim, frente a frente, perto de se ver, mas sem nos aproximar, com uma distancia em que só o coração pode sentir.

Porém, encontrei uma oportunidade quando recuei minhas mãos. Você se aproximou e os meus pés continuaram grudados ao chão, continuei ali no mesmo lugar. Te deixei aproximar, fazendo grande sacrifício para manter minhas mãos paradas também, para não te afastar. Meu coração apitou sinal de alerta. O menino que havia chegado e colocado uma bandeira em meu coração para que todos pudessem ver que foi ele o primeiro chegar que lá era sua área, voltou. Não consegui controlar meus pensamentos, meu coração, nem a tremedeira das minhas pernas. Ficou tudo fora de controle. Ergui minhas mãos em uma nova tentativa de te ter para mim. Consegui. Finalmente, consegui te tocar e te segurar com as mãos. O meu tesouro era realmente meu. Fiquei deslumbrada e todo aquele encanto me cegou. Fechei minhas mãos para te proteger e nem percebi que aquilo te prendia, sufocava e estava te esmagando. Você lá dentro gritava pedindo para te deixar livre um pouco, você não ia fugir, só queria poder ver o sol nascer e sentir o vento. Ver o sol nascer nos meus olhos e sentir a brisa que levava meu amor até a ti. Abri devagarzinho, você estava lá deitado em meus dedos, quase morto. Meus joelhos caíram ao chão clamando a Deus para te curar, para te renascer. E quanto mais tentava te ajudar, mais te esmagava. Minhas mãos tornaram-se grande demais, era algo torturante para ti. E ainda com todas as portas abertas, você não fugiu. Mas eu te matei por dentro.
(Rayanne C.)

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